«Respirar é preciso!»

 

Casinopremios14Por: José d’Encarnação

 

Com esta frase – «Respirar é preciso!» – terminou Mário Assis Ferreira a sua intervenção, no passado dia 17, por oc asião da entrega dos prémios literários instituídos pela Sociedade Estoril-Sol, pois, citando Thomas Mann, que escreveu «a cultura respira-se», sublinhou ser a promoção da Cultura um desígnio que preside à actividade da Estoril-Sol.

 

 

 

 

 

 

 

  (Paula Cristina Rodrigues, prémio Revelação)

 PaulaCristinaRodriguesNesse desiderato se insere, disse, a criação dos prémios Fernando Namora (ora em 16ª edição) e Revelação Agustina Bessa-Luís (6ª edição). Mesmo em tempo de crise, não abdicou a Estoril-Sol de exercer, desta sorte, a sua missão de cidadania; de manter uma galeria de arte com espaço generoso; e de mostrar energia, criatividade e determinação, por exemplo, na manutenção da multipremiada revista Egoísta – mau grado o facto de, a partir de 2008, estarem a diminuir substancialmente as receitas do Jogo. Congratulou-se, pois, com o elevado número de concorrentes e, a propósito do júri qualificado que apreciou os trabalhos, salientou a enorme estatura intelectual e humana de Vasco Graça Moura, que presidiu a este júri, até que as forças lho permitiram (este concurso, relativo a 2013, ainda decorreu sob sua presidência). Por isso, justamente para lembrar a relevância da Cidadania, anunciou que a Estoril-Sol ora estatuía o Prémio Vasco Graça Moura para galardoar obras que pugnem pela Cidadania Cultural.

Aliás, a personalidade de Graça Moura seria alvo de referências elogiosas por parte de todos os oradores desse final de tarde, no auditório do Casino Estoril. Referiram-se-lhe (o «grande Amigo que nunca perderemos!») Guilherme de Oliveira Martins, que ora preside ao júri, os dois premiados e o próprio Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, que presidiu à sessão.

O angolano JoséJoseEduardoAgualusa Eduardo Agualusa foi distinguido pelo romance Teoria Geral do Esquecimento e, na acta, o júri fundamentou essa atribuição, tendo em consideração «a escrita ágil de um autor que sabe realizar uma especial economia de efeitos, encontrando uma linguagem em que o português é falado em intercepção com outros modos». A história, plena de ironia e de humor, de uma aveirense em Luanda, na véspera da declaração da independência.

 

Coube a Paula Cristina Rodrigues o prémio Revelação, com o romance Horizonte e Mar, que reflecte a vida genuína das gentes da costa atlântica (a autora, natural do Porto, vive em Matosinhos), o docinho da língua como realidade viva, numa «abordagem etnográfica pouco presente no panorama da actual ficção portuguesa, expressa numa narrativa bem conduzida, cuja frase é, no geral, vertebrada, sendo sentimentalmente envolvente e susceptível de atravessar diversos patamares de leitura», lê-se na acta.

Ambos os contemplados, na brevíssima alocução de agradecimento que fizeram, não deixaram, como se disse, de salientar o grande amor de Vasco Graça Moura à língua portuguesa, em todas as suas variantes, sublinharia Agualusa, a variante brasileira, angolana, cabo-verdiana… pois era a língua o seu «instrumento de trabalho».

A encerrar a sessão Barreto Xavier evocaria a última viagem de Vasco Graça Moura a Bogotá, já debilitado mas numa vontade de promover a cultura portuguesa também além-fronteiras, e felicitou a Estoril-Sol por ter a Cultura sempre bem presente na sua actividade, numa contribuição sempre activa.

Seguiu-se o jantar no Restaurante Estoril Mandarim, em homenagem aos premiados.

 

 

 

 

cyberjornal, 18 Dezembro 2014

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