«Teatros de Cascais» – com pompa e circunstância!

teatrosCascais11José d’Encarnação (texto

Marques Valentim (fotos)

Foi pequeno o Teatro Gil Vicente para receber quantos quiseram associar-se à apresentação do livro «Teatros de Cascais», da autoria de Manuel Eugénio F. da Silva e José Ricardo C. Fialho, uma dupla que, de há uns anos a esta parte, nos tem brindado com uma série de livros que constituem precioso auxílio para quem, de futuro, queira reflectir sobre a história de Cascais, pois todos os dados estão ali, nesses volumes. E outros há na forja, garantiram-nos. E ainda bem!

teatrosCascais2A cerimónia foi precedida pela apresentação, muito aplaudida, de algumas significativas passagens da revista ora em cena no Gil Vicente pelo Grupo Cénico da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascais. Um apontamento gracioso que serviu para mostrar que teatro não é apenas o que se vê em palco mas toda uma estrutura que o sustenta nos bastidores.

Compuseram a mesa os dois autores, o presidente da Câmara, o presidente da União de Freguesias Cascais – Estoril (editora do volume, que se destina exclusivamente a ofertas) e o presidente da direcção da Associação. Todos teceram rasgados elogios à oportunidade da obra, à excepção, evidentemente, dos dois autores, que tiveram palavras de reconhecimento a quantos os haviam ajudado.

teatrosCascais3São, ao todo, 560 páginas, em que, passo a passo, se dá conta do que fizeram as várias companhias de teatro da freguesia: onde, como, quando e com quem. Valem as ilustrações quer de cenas quer, de modo especial, dos cartazes ou folhetos de propaganda, que representam elementos históricos do maior valor. Na verdade – e isso justifica também a enchente desse final de tarde do Dia Mundial do Teatro, 2ª feira, 27 – estamos perante um livro com pessoas dentro. Pessoas em múltiplas fotografias e pessoas mencionadas no elenco de cada peça, que houve o cuidado de referir.

Não se pense, porém, que apenas se alude ao que aconteceu no Gil Vicente, por onde, aliás, passaram nomes maiores da cena portuguesa: Eunice Muñoz, Lourdes Norberto, Maria do Céu Guerra… Não! Até as revistas encenadas nos centros de dia ou as peças levadas à cena nas colectividades locais. Estou a recordar a Sociedade Musical de Cascais, o União Recreativa da Charneca, o efémero grupo da Chesol, o que chegou a fazer-se na Sociedade Familiar e Recreativa da Torre… Claro, há destaque para o Grupo Cénico, pela sua actividade, e merece relevo a presença constante do Teatro Experimental de Cascais, que tem levado o nome da vila além-fronteiras, sob a proficiente batuta de Carlos Avilez, João Vasco e seus mais directos colaboradores. Mas se o espaço Confluência (hoje Teatro Helena Torrado) teve, por enquanto, vida efémera, quer pelo precoce falecimento de Helena quer porque Ricardo Carriço anda envolvido nas telenovelas, menção à parte merece o novel Palco Treze, onde – mormente no palco do Auditório Fernando Lopes Graça, no Parque Palmela – labutam antigos alunos da Escola Profissional de Teatro de Cascais de onde saíram muitos dos que hoje «dão cartas» no cinema, no teatro e nas séries e novelas televisivas.

Isto para dizer que o volume ora dado à estampa, graças à clarividência do Executivo da Junta (o senhor presidente da Câmara reconheceu que o Executivo Municipal, nos últimos tempos, descurara um pouco a política das publicações), esse volume mostra à saciedade que Cascais sempre foi uma vila onde o Teatro reinou em toda a sua exuberância. O velhinho Gil Vicente, nos tempos da Monarquia, quando os reis por aqui veraneavam, tinha constantes atracções teatrais com os melhores artistas da capital…

Folhear com atenção as 560 páginas de «Teatros de Cascais» é, pois, um regalo para a alma, um hino à tenacidade de quantos, roubando tempo à família (por exemplo), não hesitaram – e não hesitam – em mostrar que, afinal, o que o teatro nos traz é uma permanente reflexão sobre o nosso sentido da vida!

Um forte aplauso, pois, à exemplar tenacidade dos autores, extensivo, claro, a todos aqueles que «vivem» nas páginas do livro agora apresentado.

 

cyberjornal, 29 março 2017

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