Cantando pulirando numa fria sexta-feira

cantaresTerraCD16Por: José d’Encarnação

 

 

 

 

Também para comemorar os seus 21 anos de existência e dar continuidade a uma iniciativa de há cinco verões, o cascalense Cantares da Terra convidou o grupo Cantar d’Amigos, da Ota (Alenquer), para o 5º Encontro de Musical Popular – Cascais 2016.

 

 

 

 

 

 

 

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Foi na sexta-feira, 22, no Largo da Câmara. Uma aragem bem fresca não impediu que por ali tivessem passado cerca de 200 pessoas, entre as quais muitos turistas, que não hesitavam em balancear-se ao som dos alegres ritmos bem portugueses que foram desfilando e em fixar nos seus telemóveis imagens decerto para eles fora do comum. As palmas acompanhavam os músicos e aqueciam o ambiente.

Cantar d’Amigos (15 elementos, entre cantadores e tocadores – acordeão, percussão e cordas) não hesitou, a dado momento e quase a finalizar, em brindar a ‘colónia’ alentejana de Cascais com os cantares d’além-Tejo, a que as suas bem timbradas vozes masculinas emprestaram particular encanto.

A troca de presentes incluiu os CDs de parte a parte e – o que muito nos apraz registar – a permuta de publicações sobre a história e o património locais.

Cantares da Terra iniciou a sua actuação pouco depois das 22.45 h. Primeiro, o popularíssimo «Cantando Pulirando», como que a dar o mote para o que seria o seu repertório: melodias de várias regiões do País, a que o grupo bonitamente envolveu em novos arranjos. Registe-se, aliás, que – além de ter crescido em número de elementos – Cantares da Terra cresceu muito em qualidade e presença, graças, de modo especial, ao saber de Marta Garrido, a acordeonista que musicalmente ‘guia’ o grupo, se me não engano. Apreciei a forma como se preparou o conhecido «Pica do 7», de António Zambujo, ou o fado «Amor de mel, amor de fel», de Amália Rodrigues, que também António Zambujo e Kátia Guerreiro, entre outros, adoptaram e adaptaram.

A brisa era fresca, de facto; as músicas aqueceram a frialdade quase agreste da noite. No céu escuro, bailava, de vez em quando, indiferente e piante, o branco peito alumiado de uma gaivota.

Pela «rua da polícia» acima, passei por entre as mesas dos restaurantes que ora, às noites de sexta-feira, à rua lhe chamam sua; naquele ali, o dono providenciara mantas grená para os ombros dos clientes friorentos. E uma consolação me acompanhava: já há muito que as 20 horas haviam passado e eu conseguira lugar para o carro num sítio onde só se paga até às 20. A vantagem, agora, de haver iniciativas depois das 20!...

 

cyberjornal, 25 julho 2016

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