A história do Compasso ou o compasso da História ( 13 ) A Tradição Hermética e a Maçonaria (1)

macon2cyPorH. D.

No antigo manuscrito maçónico Cooke, datado de 1400, que se encontra na Biblioteca Britanica, é possivel ler nos parágrafos 281-326 que toda a sabedoria antediluviana foi escrita em duas grandes colunas. Depois do dilúvio de Noé, uma delas foi descoberta por Pitágoras, a outra por Hermes, o Filósofo, que se dedicaram a ensinar os textos ali gravados. Isto encontra – se em perfeita concordância com o que pode ser confirmado por uma lenda egípcia, da qual já dava conta Manethon, segundo Cooke, e apoiada por Hermes. 

 

 

 

 

 

 

 

Essas colunas, ou obeliscos, semelhantes aos pilares J. e B., são as que sustentam o templo maçónico e, ao mesmo tempo, abrem o acesso ao mesmo e configuram as duas fonts sapienciais que “ alimentarão a Ordem: o Hermetismo, que assegurará o amparo do deus através da Filosofia, quer dizer do Conhecimento, e o pitagorismo, que dará os elementos aritméticos e geométricos necessários, para o simbolismo construtivo; deve-se considerar que ambas as correntes são directa ou indirectamente de origem egípcia.

Igualmente que essas duas colunas, são as pernas da Mãe loja, pelas quais nasce o Neófito, quer dizer pela sabedoria de Hermes, o grande iniciador, e por Pitágoras, o instrutor gnóstico. De facto, na mais antiga Constituição Maçónica editada, a de Roberts publicada na Inglaterra em 1722 e anterior à de Anderson, mas na prática não é mais que a codificação de antigos usos e costumes operativos que derivam da Idade Média, e que mais tarde , serão desenvolvidos na Maçonaria especulativa, menciona-se especificamente a Hermes, na parte chamada "História dos Franco-maçons". Efectivamente, ali aparece na genealogia maçónica com esse nome e também com o de Grande Hermarmes, filho de Sem e neto de Noé, que depois do dilúvio encontrou as já mencionadas colunas de pedra onde está inscrita a sabedoria antediluviana , e lê numa delas o que em seguida ensinará aos homens. O outro pilar, como já foi mencionado , foi interpretado por Pitágoras , o pai da Aritmética e da Geometria, os elementos essenciais na estrutura da loja, e portanto ambos os personagens formam, como vimos, a "alma mater" da Ordem, em particular em seu aspecto operativo, ligado às Artes liberais. Já no manuscrito Grand Lodge nº 1 , de 1583 só subsiste a coluna de Hermes, reencontrada pelo "Grande Hermarines" , referido como descendente de Sem , mais tarde chamado Hermes, o pai da sabedoria". Note-se que Pitágoras não figura já como o intérprete da outra coluna. No manuscrito Dumfries nº 4 , de 1710 , aparece, como "o grande Hermorian", chamado 'o pai da sabedoria' ", mas, aqui , rectificou-se sua origem de acordo com o texto bíblico que o faz descendente de Cam e não de Sem.O redactor do Dumfries rectificou consequentemente a filiação. Ao mesmo tempo, esta filiação tem como resultado a junção de Hermes com Nemrod, ao contrariamente a outras versões que fazem deles dois personagens distintos. Assim faz o manuscrito chamado Regius, descoberto por Haliwell, no Museu Britânico em 1840, reproduzido por J. G. Findel na História Geral da Franco-maçonaria de 1861, numa extensa primeira parte que trata das origens até 1717, embora não inclua Pitágoras como o hermeneuta que, junto com Hermes, decifra os mistérios que serão herdados pelos maçons, senão a Euclides, a quem se faz filho de Abraão; a este respeito, deve se recordar que o teorema do triangulo rectangulo de Pitágoras foi enunciado na proposição quarenta e sete de Euclides. O mesmo Findel, referindo-se à quantidade de elementos gnósticos e operativos que constituem a Maçonaria, e concretamente ocupando-se dos canteiros alemães, afirma: "Se a conformidade que resulta entre o organismo social, os usos e os ensinos da franco-maçonaria e os das companhias de maçons da Idade Média já indica a existência de relações históricas entre estas diversas instituições, os resultados das investigações feitas nos arcanos da história e o concurso de uma multidão de circunstancias irrecusáveis estabelecem de modo positivo que a Sociedade dos Franco-maçons descende, directa e imediatamente, daquelas companhias de maçons da Idade Média." E continua : "a história da franco-maçonaria e da Sociedade dos Maçons está por isso mesmo intimamente unida à das corporações de maçons e à história da arte de construir na Idade Média; é, pois, indispensável dirigir um rápido olhar sobre esta história para chegar a que nos ocupa.". Desta forma resulta o óbvio que os Antigos Usos e Costumes, os símbolos e os ritos e os segredos do ofício, transmitiram-se sem solução de continuidade desde datas muito remotas e certamente nas corporações medievais, e a passagem do operativo ao especulativo não foi senão a adaptação de verdades transcendentes a novas circunstancias cíclicas, fazendo notar que o termo operativo não só se refere ao trabalho físico ou de construção, projeção ou planeamento material e profissional das obras, mas também à possibilidade de que a Maçonaria opere no iniciado o Conhecimento, por meio das ferramentas proporcionadas pela Ciência Sagrada, seus símbolos e ritos. Precisamente isto é o que procura a Maçonaria como Organização Iniciática, e o confirma na continuidade da passagem tradicional, que faz com que, igualmente, seja encontrada na Maçonaria especulativa, de modo reflexo, a virtude operativa e a comunicação com a loja maçônica Celeste, quer dizer, a recepção de seus eflúvios que são os que garantem qualquer iniciação verdadeira, principalmente quando os ensinos são emanados do deus Hermes e do sábio Pitágoras. De todas as maneiras, tanto uma quanto outra são os ramos de um tronco comum que tem os Old Charges (Antigos Deveres) como modelo; podemos encontrar muitos fragmentos e manuscritos em forma de cilindro do século XIV em diversas bibliotecas. 

Quanto a Hermes, não mencionado nas constituições de Anderson, em particular o Hermes Trismegisto grego , o Thot egípcio, é uma figura tão familiar à Maçonaria dos mais distintos ritos e obediencias como o poderia ser para os alquimistas, forjadores da imensa literatura posta sob seu patrocínio. Não só o Hermetismo é o tema de abundantes pranchas e livros maçónicos, e inumeráveis lojas maçónicas chamam- se Hermes, como também existem ritos e graus que levam seu nome. Assim, há um Rito chamado os discípulos de Hermes; outro o Rito Hermético da loja Mãe Escocesa de Avignon , Filósofo de Hermes é o título de um Grau cujo catecismo se encontra nos arquivos da "loja dos amigos reunidos de São Luis", Hermes Trismegisto é outro grau arcaico do qual nos dá conta Ragón, Cavaleiro Hermético é uma hierarquia contida em um manuscrito atribuído ao irmão Peuvret onde também se fala de outro denominado Tesouro Hermético, que corresponde ao grau 148 da nomenclatura chamada da Universidade, aonde existem outros como Filósofo Aprendiz Hermético, Intérprete Hermético, Grande Chanceler Hermético, Grande Teósofo Hermético , correspondente ao grau 140, O Grande Hermes, entre tantos outros . Não faltam tampouco na actualidade, em revistas e dicionários maçónicos, referencias directas à Filosofia Hermética e ao Corpus Hermeticum, onde está fixada. Eis alguns exemplos , da terminologia alquímica; do Dictionnaire de la franc-maçonnerie de D. Ligou ): "Citaremos uma interpretação hermética de alguns termos utilizados no vocabulário maçónico: Enxofre (Venerável), Mercúrio (1.º Vigilante), Sal (2.º Vigilante), Fogo (Orador), Ar (Secretário), Água (Hospitaleiro), Terra (Tesoureiro). Encontramos aqui os três princípios e os quatro elementos dos alquimistas.".
Por esta razão é que Hermes e o Hermetismo são referencias habituais na Maçonaria, como o são também Pitágoras e a geometria. Por outro lado , ambas as correntes históricas de pensamento derivam através da Grécia, Roma e Alexandria, do Egipto mais remoto e por seu intermédio da Atlantida e da Hiperbórea, como em última instância acontece com toda Organização iniciática, capaz de religar o homem com sua Origem.

 

 

 

cyberjornal, 14 julho 2017

Para inserir um comentário você precisa estar cadastrado!