A ingenuidade vai ser rainha na galeria do Casino Estoril

AntonioPorteuriPor: José d’Encarnação

É o Dr. Nuno Lima de Carvalho, director da Galeria de Arte do Casino Estoril, um dos maiores entusiastas portugueses pela pintura a que se convencionou chamar naïf, adjectivo francês que significa «ingénuo»; mas, como, em larga percentagem da Europa, a língua francesa deixou de ser, como dantes era, a língua da intelectualidade, continuou a chamar-se «ingénuo» a uma pintura que deveria ser naïve, ‘ingénua’, porque não lhe apeteceria muito deixar os seus credos sexistas por mãos alheias… Enfim, crismou-se de naïf, no masculino – e não há volta a dar-lhe, pronto!

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas, género à parte, o certo é que se trata de um tipo de pintura que prima pela curiosidade, entendendo por curioso aquilo que, de facto, prende a atenção. São muito sui generis os pintores naïfs: distorcem a realidade como lhes apraz; são capazes de pôr um pássaro maior que um homem (vamos lá nós saber porquê!...); e, sem mais aquela, pintam uma árvore de cor-de-rosa velho!… Não, não é surrealismo, terra de sonhos e fantasmagorias: é o retrato de um mundo visto à maneira deles, bem multicolorido.

De um modo geral, o naïf não estudou; não sabe lá muito bem o que é isso de perspectiva, a perspectiva é a que ele vê e bota a casa aquela num equilíbrio que só Deus sabe como é que os muros não caem!... Isso nos delicia!

Por isso, Lima de Carvalho se deixou encantar e luta, há 35 anos, por manter bem acesa a chama do apoio da sua galeria a esses pintores, alguns dos quais já consagrados internacionalmente. Por isso, abre, no próximo dia 25 (de sábado a oito dias), a partir das 17 horas, mais um Salão Internacional de Pintura Naïf, o XXXV. Estará patente até 5 de Setembro!

E aqui vai, por ordem alfabética, o rol dos artistas cujos trabalhos nela figurarão: A. Barbosa, Albino José Moreira, António Charrinho, A. Réu, Arménio Ferreira, Augusto Pinheiro, Bento Sargento, Cecília, Conceição Lopes, Edna de Araraquara, Elza Filipa, Emil Pavelescu, Feliciana, Fernanda Azevedo, Ivone Carvalho, José Maria, Juan Guerra, Leonel Pereira, Luiza Caetano, Manuel Carvalho, Manuel Castro, Maria Vilaça, Nell, Rocha Maia, Silvana e Zé Cordeiro.

Acrescente-se que se aproveitará o ensejo para homenagear António Poteiro, que, nascido em Barcelos, foi, ainda criança, para o Brasil, com seus pais, artesãos oleiros. Junto deles aprendeu a trabalhar o barro, encaminhando-se depois para a pintura dentro da linguagem naïve. Depressa se notabilizou e «se transformou num génio da Arte Popular, convidado das Bienais de São Paulo, premiado em grandes eventos culturais e artísticos no Brasil e no estrangeiro, e uma referência mundial no campo da Arte Naïf», afirma Lima de Carvalho.

Fica, pois, o convite para uma demorada visita!

 

 

 

cyberjornal, 16 Julho 2015

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