Na galeria do Casino, Artis 2015 recorda artistas premiados

Artis15Por: José d’Encarnação

Depois de o salão de exposições da Junta de Turismo da Costa do Estoril, nas Arcadas do Parque, ter fechado as portas às iniciativas culturais, porque os seus responsáveis – porventura formados em escolas turísticas do passado… – não se haverem consciencializado de que Arte continua a ser um bom chamariz turístico, acabaram também os incentivos aos artistas nacionais que anualmente concorriam aos salões da Primavera e do Outono. Era sempre um bom pretexto para se falar da Costa do Estoril e de se louvar a clarividência dos seus mentores turísticos.

 

 

 

 

 

 

 

Fechadas essas portas, outras mui oportunamente se abriram e quem esteve à frente dos destinos da galeria de arte do Casino Estoril – com longo e mui reputado palmarés no horizonte artístico nacional – agarrou de imediato na ideia que os luminares dos baixos do Parque haviam deitado janela fora.

E, a partir de 1981, os Salões de Primavera do Casino Estoril guindaram-se a elevado plano, nomeadamente porque tiveram como objectivo primeiro «divulgar e promover a Arte Jovem», tendo para isso sabiamente convocado estudantes finalistas das faculdades de Belas Artes das universidades de Lisboa e do Porto. Realizaram-se 27 salões, em que participaram 916 jovens, muitos dos quais – como assinala o director da galeria, Dr. Nuno Lima de Carvalho – «hoje são docentes das faculdades em que estudaram e outras escolas superiores» ou «artistas de referência» no panorama das nossas artes plásticas.

A exposição Artis 2015, que ora ali está patente até 4 de Março, congrega, pois,artistas que «foram distinguidos com prémios e menções honrosas e que se apresentam agora com uma escrita definida, uma modalidade adoptada, uma temática preferida e uma carreira artística de sucesso»: Ana Teresa Vicente, Abreu Pessegueiro, Carolina Piteira, Daniel Curado, Diogo Navarro, Filipe Curado, Francisco Pinto, Gonçalo Gonçalves, Hugo Marques, Isabel Teixeira de Sousa, Joana Arez, Joana Hamrol, Jorge Francisco, Mara Costa, Maria Salgado, Marlene Teixeira, Paulo Pina, Rafaela Nunes, Susana Carvalho e Vítor Novo.

Louve-se a iniciativa. Só não é de louvar a abstrusa e dificilmente compreensível proibição de a galeria poder ser visitada por menores de 18 anos. Trata-se de uma lei parida pela Inspecção dos Jogos, sob pretexto de que os jovens não podem ver os adultos jogar nas máquinas, uma vez que estas são visíveis no acesso à galeria. Se acompanhados pelos pais ou por familiares, que – naturalmente – lhes explicariam o significado do jogo e os riscos a ele inerentes, qual a razão lógica para essa proibição? Aliás, não vêem os jovens – e sozinhos!... – outras ‘coisas’ bem piores no seu dia-a-dia?

 

 

cyberjornal, 18 Fevereiro 2015

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