A (incrível) estória do Balhau

BacalhauhistoriaPor: José d’Encarnação

 

 

Foi apresentado, ao final da tarde de domingo, 14 de Dezembro, pelo conhecido humorista Nilton, no Museu do Mar Rei D. Carlos, em Cascais, o livro A incrível estória do Balhau, da autoria de Filipe Desmet.

Tinha o peixe o hábito – que partilha, aliás, com muitos de nós… – de comer as sílabas, designadamente aquelas mais saborosas, as do meio. Por isso, é chamado de Balhau e não de Bacalhau. E deu Nilton exemplos de inúmeras ocasiões do quotidiano em que, de facto, comemos as sílabas – e toda a gente percebe o que queremos dizer!...

 

 

 

 

 

 

Ana Colaço, da RFM, leu depois algumas passagens do livro, para nos aliciar e os dois filhotes gémeos do autor, a Inês e o Guilherme, serviram… pastéis de balhau e sumos de… pêgo, laja, anás e mogo!

Enfim, momentos deveras divertidos, como divertida é a estória (que não podia ser história!) do peixe que, um dia, vê uma mica, a come e… não é que ela (a minhoca…) estava presa num anzol? Mas, como só apanhara um peixe, o pescador dispunha-se a devolvê-lo ao mar, quando se apercebeu que este lhe piscara o olho! Não resistiu, ficou com ele, levou-o para casa e tornaram-se bons amigos. Imagine-se que até, um dia, foram a um jogo de futebol! E o Balhau também aplaudiu os golos, de barbatanas levantadas. Mas não sabia que só podia aplaudir os golos da equipa da bancada; enganou-se e «um adepto que estava perto dele, olhou-o com olhar de reprovação e disse:

‒ Ó baixinho, vê lá se queres que te convide para jantar peixe!».

Aí ele percebeu.

Cativou o Balhau o pescador pelo seu jeito de ver o mundo (por exemplo, a chuva a cair era uma novidade enorme!...). Por isso nos cativa a nós também, porque nos ensina a ver as coisas «insignificantes e pequenas», aqueles «grãozinhos de areia» que fazem o nosso dia-a-dia.

No final da estória, sentimo-nos melhores, enlevados em estranha serenidade, deliciados com o saboroso olhar crítico que o Balhau – aquele que comia as sílabas do meio – acaba por nos transmitir.

 

 

cyberjornal, 25 Dezembro 2014

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