Os tiques e as manias dos grandes

TiresCelestinolivro15Por: José d’Encarnação

 

 

 

Passava os dias no silêncio dos mármores e das cruzes, perpetuando – ou julgando perpetuar!... – na pedra os nomes de quem já partira. ETERNA SAUDADE DE SUA ESPOSA, FILHOS E NETOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fechava às cinco da tarde o cemitério e abalava para casa. Meditaria, quiçá, nos nomes que gravara, nos mármores que assentara sobre as campas e perguntar-se-ia das vidas. Daí o seu apreço pelas biografias dos homens que, ao longo dos séculos, se haviam notabilizado:

«Não se deve falar do género humano com desprezo, quando se pensa em semelhantes exemplos.

É agradável admirá-los e é bom e salutar, como disse um mestre, alimentarmos sempre em nós o culto dos grandes homens e das grandes coisas» – escreve Celestino Costa no final.

Miguel Ângelo, por exemplo, é o seu ídolo:

«Possuía, em supremo grau, o amor sincero e activo do Belo, da Verdade e do Bem. É, com certeza, um dos homens que mais honraram a vida».

E, ao ler as biografias, achou piada aos tiques, às manias, aos casos do dia-a-dia, que foi minuciosamente anotando, a lápis, em letras capitais, para melhor se entender.

Contos Recontados é, pois, o resultado dessa recolha, serenamente feita, anos afora, por Celestino Costa, o poeta de S. Domingos de Rana, o canteiro do cemitério da Guia, em Cascais. Um livrinho singelo, que num ápice se lê, mas que, de facto, diverte e, nalguns casos, até é capaz de fazer pensar.

Numa edição de Apenas Livros (ISBN: 978-989-618-501-5) em colaboração com a Associação Cultural de Cascais, o livro foi apresentado no sábado, 20 de Junho, na Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana, em sessão presidida pela Profª Maria Fernanda Gonçalves, uma vez que a iniciativa mereceu amplo apoio da Junta de Freguesia.

 

Tirescanteiros15Celestino Costa aproveitou a oportunidade para – numa pequena mas bem significativa exposição – mostrar também alguns dos seus trabalhos de canteiro em vários tipos de pedra, tipos de que teve o cuidado de identificar alguns com legenda gravada, para que tal identificação se não perca com o tempo. Apresentou, por exemplo, o baixo-relevo que se reproduzira na capa do seu livro A Minha Terra e Eu (2ª edição, da Associação Cultural de Cascais, em 1995) e que representa uma oficina de canteiro. A Presidente da Junta foi obsequiada com uma fotografia emoldurada desse trabalho.

 

 

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cyberjornal, 5 Julho 2015

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