Uma história dos bastidores do poder de Isaltino

MacedoSousalivro2014Por: José d’Encarnação

«Uma história muito bem feita dos bastidores do poder de Isaltino de Morais» –foi assim que José Miguel Júdice classificou o livro Sobre Oeiras – Comunicação e Caso de Sucesso? (1982-2006), da autoria de Luís Macedo e Sousa.

 

MacedoSousalivro014Com a presença de mais de uma centena de amigos do autor, a sessão de apresentação decorreu na tarde de sábado, 1 de Fevereiro, no auditório do Centro de Apoio Social de Oeiras. Presidiu o Sr. Coronel João Marquito, que, depois de breve alusão à missão do Centro e às dificuldades que se houve de vencer para o erguer e, agora, para o manter, referiu quanto carinho ali se procura ter para com todas as iniciativas do concelho, nomeadamente as culturais, pelo que agradeceu vivamente a escolha que fora feita para ser cenário desta cerimónia.

 

MacedoSousalivro14A apresentação

 

José Miguel Júdice começou por afirmar que livros como este não são, vulgarmente, mais do que mero relatório, raras vezes bem escritos, e que, por isso mesmo, depois de umas semanas desaparecem.

 

No caso vertente, porém, embora sendo, de facto, uma prestação de contas, o relato de 24 anos de serviço público, é seu autor alguém que escreve bem («o que se torna cada vez mais raro», sublinhou); descreve, com base no poder local, um período decisivo da história de Portugal (José Miguel Júdice recordou que presidia à Distrital do PSD aquando da 1ª candidatura de Isaltino de Morais à Câmara de Oeiras, que incondicionalmente apoiou); o livro ajuda, pois, a compreender o que se passou. O que é o poder? Um monstro bifronte simultaneamente atraente e repelente. E este livro consagra-se, assim, como uma história muito bem feita dos bastidores do poder de Isaltino, «um autarca paradigmático, magnífico, excelente», disse.

 

Muitos livros, agora, servem para combater a insónia e deixam-se da mão quando a insónia passa; este, garantiu José Miguel Júdice, não vai morrer após a insónia ter passado, atendendo à forma como está feito. Sente-se nele, latente, um certo desgosto, mas não há qualquer ajuste de contas, porque – e esta foi a segunda grande ideia que quis deixar – é «o livro de uma pessoa muito bem educada» e, hoje, a boa educação é, também ela, cada vez mais rara.

 

As declarações do autor

Macedo e Sousa agradeceu o pronto acolhimento dado pela direcção do C. A. S. Outro e as palavras de José Miguel Júdice.

 

Quanto ao livro, considerou-o um contributo para a história do concelho, escrito já com algum distanciamento em relação aos factos narrados (já saiu da Câmara há oito anos) e, também, uma espécie de elo libertador, como que o encerrar de um capítulo, um exercício de memória sobre as reflexões feitas, donde se sai com a convicção de que para cada problema há várias soluções e nem sempre a que escolhemos pode ser a melhor ou a definitiva. Trata-se, em seu entender, de uma reflexão por vezes «muito intimista, sim, mas caldeada pelo tempo, uma espécie de ‘conta-me como foi’, para melhor se perceber como é que as coisas aconteceram». «Oeiras foi um marco na minha vida, em que sobressaiu o facto confiança: como se constroem e evoluem as relações de confiança».

 

Explicou ainda Luís Macedo e Sousa que o livro surge agora porque preferiu esperar por um período pós-eleitoral, relativamente ‘morto’ do ponto de vista da cena política, dado que «não tem por objectivo interferir seja no que for». Os seus objectivos foram: a participação cívica (não outra) e apresentar um testemunho tanto quanto possível despido de emoções, «uma reflexão sobre a natureza humana e a forma como se reage».

 

Terminou com um voto: «Que a sua leitura esteja em linha com o prazer que me deu em escrevê-lo».

 

Sobre Oeiras – Comunicação e Caso de Sucesso? (1982-2006) é edição de autor (ISBN – 978-989-20-4459-0); tem 192 páginas; e os capítulos em que se divide são: «Oeiras em democracia», «mudança tempestiva», «estrutura e política municipal de comunicação», «políticas, perplexidades e comunicação aplicada», «contexto e protagonistas», «o princípio do fim».

 

Vou ler, na certeza de que muito aprenderei também!

 

 

cyberjornal, 3 janeiro 2014

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