Celebrou-se a beleza

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Por: José d´Encarnação

 

 

 Ao saudar o publico que por completo enchia o Salão Preto e Prata do Casino Estoril, no passado dia 16, o maestro Nikolay Lalov lançou o mote: o repertório encolhido para esse concerto de Ano Novo pela Orquestra Sinfónica de Cascais tinha por objectivo celebrar a beleza. No fundo, a ideia a transmitir era esta: andamos tão apressados que não paramos para contemplar o nascer do Sol (diria Charles Chaplin: «É maravilhoso o espectáculo do Sol ao nascer e, mesmo assim, a maior parte das pessoas continua a dormir»…) ou para nos deliciarmos com o cheiro do amanhecer.

 

 

 

 

 

 

Tivemos, pois, valsas e árias de ópera (pela soprano Teresa Cardoso de Menezes), sempre explicadas previamente pelo maestro, nomeadamente associando-as a pequenas histórias com elas relacionadas. Apreciaram-se trechos de Schubert, Mozart, Gounod, Verdi e, de modo especial, dos filhos de Strauss: Johann Strauss II, Josef Strauss e Eduard Strauss.

Alunas de dança do Conservatório de Música de Cascais trouxeram também agradáveis apontamentos coreográficos a sublinhar as melodias e Teresa Cardoso de Menezes vestiu bem as personagens que interpretou: ao calor da voz somou a oportunidade dos gestos.

Foi, por conseguinte, um concerto que nos deu ânimo para olhar 2016 com mais entusiasmo, ainda que – permita-se-me o aparte – nós estejamos tão habituados ao suave aconchego do Auditório da Boa Nova que, apesar de todo o seu encanto e magia, o Salão Preto e Prata acabou por ser grande de mais e roubou-nos a intimidade requerida para nos envolvermos na beleza que a Sinfónica nos quis transmitir.

 

 

 

cyberjornal, 22 Janeiro 2016

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