Romantismo ao cair da tarde…

OCCOfev015Por: José d’EncarnOCCOfev15ação

E deixamo-nos enlevar pelo mavioso som dos violinos. Vibramos com o timbre forte dos metais. Também os músicos não estão ali, totalmente embrenhados os vemos em soltarem os sons no momento certo. Encanta-nos o baloiçar da mão esquerda dos que apoiam o violoncelo ou o dos violinistas. E o maestro não descansa, também ele totalmente enfronhado na melodia que esvoaça, na serenidade imensa do auditório da Boa Nova…

 

 

 

 

 

 

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Excelente relaxar neste final de tarde, em que, fechados para o mundo exterior, acabamos por dali sair nas asas da imaginação que o concerto espicaça. E temos a sensação nítida de que todos os maviosos ecos da Natureza se congregaram ali, para nos deliciar e entreter… O maestro não descansa, os músicos não tiram o olhar da partitura, o senhor dos tímpanos aguarda tranquilamente a vez de sublinhar uma passagem mais forte… E o público deixa-se enlevar, numa catarse…

Foi assim. Ou melhor: foi muito mais do que isso o que se passou no final da tarde de domingo, 8 de Fevereiro, no auditório da Senhora da Boa Nova (Galiza, S. João do Estoril).

A Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, dirigida, na circunstância, pelo croata Berislav Skenderovic, começou por interpretar a abertura do bailado «As Criaturas de Prometeu», de Beethoven. A coreana Kim Yulla foi solista, ao violoncelo (que virtuosismo, senhores!...), no concerto para violoncelo em lá menor (opus 129) de Robert Schumann. Depois do intervalo, mantivemo-nos no Romantismo Alemão (esse era o tema do concerto), com a conhecida «A Italiana», a belíssima sinfonia nº 4 em lá maior (op. 90), do génio hamburguês Félix Mendelssohn, que apenas viveu – pasme-se! – 38 anos (1809-1847).

Constitui para Cascais e Oeiras um privilégio ímpar terem uma orquestra residente que amiúde nos pode brindar com espectáculos de tão elevada craveira. Não saberei dizer – porque não sou músico – se tocaram bem, se a interpretação foi excepcional, se o maestro é o máximo; mas gostei muito e vi que, durante o concerto, os músicos estavam satisfeitos e que o público, no final, os aplaudiu longamente e de pé.

A Orquestra de Câmara de Cascais e de Oeiras foi criada no ano 2000, por iniciativa do maestro Nikolay Lalov (o seu enorme mentor, cujo entusiasmo nunca é de mais realçar), que, na circunstância, apresentou o maestro e o programa, e é apoiada pelos dois municípios e pelo Ministério da Cultura, estando hoje sob a tutela da Fundação D. Luís I. Realiza uma média de 120 espectáculos por ano.

 

 

cyberjornal, 10 Fevereiro 2015

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