Sacramente, Vox Maris (en)cantou!

VoxMarisPor : José d’Encarnação

 

O Grupo Coral Vox Maris, sediado no Hospital de Sant’Ana (Parede), desde 2008, deu, na tarde de domingo, 16, um concerto de música sacra na igreja matriz de Cascais.

 

 

 

 

Envolvidos pela excelente acústica do templo e acarinhados pelo brilho amarelo das iluminadas talhas douradas dos altares, a meia centena de ouvintes (entre os quais, a vereadora Catarina Marques Vieira) não deram seguramente por mal empregue o seu tempo! Até S. Pedro, delongas barbas, majestaticamente sentado na sua cadeira episcopal, parecia mostrar-se deliciado com o que lhe era dado apreciar.

 

Dirigido pelo maestro Rui Pinto e acompanhado ao órgão pelo Doutor Luís Cerqueira, o coro (17 elementos femininos e 8 masculinos) interpretou: «Veni Iesu», de L. Cherubini; «Cantate Domino», de G. Pitoni; «Ave-maria», de G. di Marzi; o «Pater Noster», à capela, do russo Nikolay Kedrov; «Ave verum», de Mozart.

 

A peça nº 6 foi o conhecido «Amazing Grace», ao qual está ligada a história de John Newton, traficante de escravos, que, em apuros no alto mar, com um carregamento de escravos, invoca a graça do Altíssimo e, milagrosamente salvo, se torna cristão e paladino da luta anti-escravatura no Sul dos Estados Unidos; não é exactamente um espiritual negro a música que se compôs para a letra, mas leva-nos, sem dúvida, a esse horizonte cultural pleno de significado e misticismo.

 

Seguiram-se, do francês Charles Gounod (1818 -1893), que compôs mais de 50 missas e de que é bem célebre a Ave Maria, três trechos da sua Missa Brevis: o Kyrie, o Gloria e o Agnus Dei. Vibrante o «Tollite hóstias», do compositor parisiense Camille Saint-Säens (século XIX); ligado às tradições evangélicas norte-americanas, «Ven alma que lloras», de Philip Paul Bliss; e, a terminar, o toque exótico do «Sanctus» cantado em língua eslava, retirado da Missa Eslava nº 3, de Urmas Sisask, compositor natural da Estónia.

 

O maestro foi fazendo breve introdução a cada um dos trechos interpretados. E passaram rápidos os 45 minutos que a actuação durou.

 

Cá fora, a humidade que se fazia sentir não logrou esmorecer o calor que Vox Maris maviosamente nos inoculara.

 

 

 

Cyberjornal. 17 Novembro 2014

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