«Macbeth», pelo Teatro Experimental de Cascais

TECMacbethPBPor: José d’Encarnação

Estreou na sexta-feira, 13, no Teatro Municipal Mirita Casimiro, a peça «Macbeth», de William Shakespeare.

Acorreram à chamada distintas personalidades da cena teatral e da cultura portuguesa. Muitas fotografias, portanto. E quando um flash disparava era logo chamariz para mais quatro ou cinco. Francisco Pinto Balsemão e esposa, Carlos Carreiras e esposa, Ricardo Baptista Leite, Eunice Muñoz, Io Apoloni, FF, Mário Vieira de Carvalho, muitos actores ligados às telenovelas da SIC… contámos, assim num relance.

 

 

 

 

 

 

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Encenação, sóbria e rigorosa, de Carlos Avilez, sobre mui ajustada versão textual de Miguel Graça. Fernando Alvarez encarregou-se, como vai sendo hábito, da cenografia – despida e severa – e dos figurinos, a merecerem, estes, um grande aplauso pela excelência e originalidade.

 

Participaram actores do elenco efectivo da companhia (Luiz Rizo, Teresa Côrte-Real), tendo Carlos Avilez convidado também vultos já conhecidos da cena portuguesa: Marco d’Almeida, por exemplo, é Macbeth e Flávia Gusmão Lady Macbeth. Uma nota para Luís Lobão, vindo, como outros, da Escola Profissional de Teatro de Cascais e que é o autor da peça «O Protagonista», ora em representações no Auditório Fernando Lopes-Graça (Parque Palmela).

A peça, escrita em 1606, faz reviver as intrigas políticas de um (aparentemente) remoto século XI, numa Escócia onde a superstição, o sobrenatural, herdeiros da ainda mais remota mitologia céltica, parecem enquadrar visceralmente o quotidiano e a ganância do poder não hesita em lançar mão do punhal para assassinar a frio quem se considere empecilho num caminho que, a todo o custo, se quer percorrer.

Três mui sedutoras bruxas (Lídia Muñoz, Raquel Oliveira e Cláudia Semedo) surgem, a espaços, qual fatídico coro de tragédia grega, a vaticinar mais desgraças, a proclamar que, afinal, os humanos mais não são que instrumentos de misteriosas forças ocultas.

Mais uma vez, a permanente actualidade do Teatro aqui eloquentemente documentada, mormente se tivermos em conta que, em simultâneo, na (supostamente) longínqua Paris, outra horrenda chacina se perpetrava, em nome da religião.

A peça estará em cena até 27 de Dezembro, de 4ª a sábado, às 21 h., e ao domingo às 16.

 

 

 

cyberjornal, 17 Novembro 2015

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