O espectáculo da EDAM no Centro Cultural de Belém

EDAM14Por: José d’Encarnação 

Quando vemos aqueles pequeninos, todos muito compenetrados no seu papel, vestidos a rigor, interpretando emoções através de gestos, balanços e meneios, em sintonia perfeita com a música – sentimos quão necessário é manter-se bem viva a proclamação, contra ventos e marés, de que, pese muito embora a ignorância dos «governantes», a dança, a música, a arte teatral precisam de acarinhar-se sempre e não há nunca verbas esperdiçadas nisso!

 

 

 

 

 

EDAM014É que, ó senhores que só vêem colunas do deve e do haver material consubstanciado em milhões de euros, a educação pela Arte é a valorização global da pessoa e também ela contribui eficazmente para a riqueza de um País, porque – lembrem-se! – riqueza são as pessoas, sem elas riqueza não existe!

Perdoar-se-me-á se assim começo singela nota de reportagem sobre o espectáculo «Relembrar na perspectiva do Futuro», que vi, no passado domingo, dia 6, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, inteiramente lotado. Os alunos da EDAM – Escola de Dança Ana Mangericão, sita no Buzano (S. Domingos de Rana, Cascais) presentearam-nos aí com o que de melhor aprenderam em mais um ano lectivo.

E nós – para além do que atrás fica dito acerca da importância da Arte, nas suas múltiplas facetas, para a formação global da Pessoa – acabamos por não saber que mais admirar: se a enorme cumplicidade entre professores e estudantes, entre estudantes de diversos níveis etários (um encanto ver os pequenitos pela mão de meninas pouco maiores que eles!...), ou a requintada coreografia preparada para cada um dos bailados, ou a perfeição sequencial dos números ou, ainda, o sempre sugestivo guarda-roupa ou o não menos sedutor encanto com que todos os executantes (foram 327, imagine-se!...) se esmeraram nas apresentações, que abarcaram, como é de uso, as mais diversas modalidades!

Uma delícia!

Claro que apreciei o sapateado; claro que foram um mimo as abelhinhas (do nível 00); claro que Teresa Côrte-Real sabe estruturar muito bem movimento e drama (e aquele número surrealista, inédito, da paragem do autocarro bem o demonstrou); claro que «as deusas de Nekkehen», naquele imortal ‘bailado egípcio’ de Alexander Luigini, me transportaram a uma bem remota Antiguidade Oriental perdida na noite dos tempos; claro que «more than black» – com surpreendente coreografia de Patrícia Cayatte e Susana Rodrigues – foi bem agradável de ver-se… mas igualmente nos calaram bem fundo as palavras de esperança de Ana Mangericão no final, eco do seu voto, exarado no programa: numa boa formação devem prevalecer «a compreensão, o amor e a fraternidade, sentimentos que, sem dúvida, serão sempre decisivos para um futuro melhor».

Parabéns!

cyberjornal, 9 de julho 2014

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