Cuidado com as designações toponímicas em Cascais!

Toponimia

Por: José d’Encarnação

Com alguma pompa e circunstância, foram inaugurados, no domingo, dia 6, pelas 10 horas, de acordo (dizia o convite) com «um projeto estratégico para Cascais e desenvolvido pela Divisão de Espaços verdes Públicos Urbanos da Cascais Ambiente», «os espaços envolventes do Bairro do Tremil, Pampilheira».

 

 

 

 

 

 

Não é a primeira vez que os serviços camarários, por falta de informação ou porque se não dispõem a perguntar a quem os poderia esclarecer, cometem erros nas designações toponímicas.

Neste caso, o Bairro chama-se da Tremil e não do Tremil, designação por que ficou conhecido uma vez que fora a empresa Tremil que o construíra. Por outro lado, é um bairro com identidade própria, que não fica situado na Pampilheira, cujo limite sul é na Rotunda dos Bombeiros Voluntários.

Já se teve ocasião de explicar que, em S. Pedro do Estoril, o Centro Interpretativo se designa da Pedra do Sal e não da Ponta do Sal – e foi necessária uma luta por parte do Núcleo de Amigos de S. Pedro do Estoril para que se corrigisse a distracção.

Quanto a parques públicos, saliente-se que se começou por chamar Penhas da Marmeleira ao que existe a nascente de Murches, quando é do Marmeleiro, nome por que sempre foi conhecido o trecho da Ribeira das Vinhas sito no vale. Já o Parque da Ribeira dos Mochos, sito a noroeste da vila, também se não deveria ter chamado assim, porque o Povo sempre designou essa linha de água (impropriamente, é certo, mas no caso das toponímias o Povo é soberano!) Rio dos Mochos. Só quem não é de Cascais é que desconhece o enorme potencial que, ainda na década de 50 do século passado, essa linha de água tinha, inundando os campos desde Birre até às pedreiras da Pampilheira, com mui considerável caudal. Por isso se lhe chamava «rio».

cyberjornal, 17 novembro 2016

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